quinta-feira, 14 de julho de 2011

O bonde do turistão

Esse post já começa errado porque, a rigor, eu nunca embarquei de férias com um voucher de excursão em punho. Eu não deveria, desse modo, estar metendo a minha colher nessa farofa. Mas, ah, já fiz farofa semelhante, vá. Já fiz curtas excursões de bate-volta e aquelas viagens com a firma do meu marido, o Viajante Profissional, na cola. Eis, então, que me acho apta a falar sobre viagens com excursão embutida, seus prós e contras.

Bom, a bem da verdade eu nunca embarquei em excursões porque tenho coceira só de pensar nelas. Tinha, pelo menos. No momento, tento ser mais mente aberta. Excursões são formatos cabíveis de viagem, acho, para aquelas pessoas que ficam muitíssimo inseguras de rodar 26 países em cinco dias sem saber tomar trem ou pedir café em alemão; excursão pode não ser pra mim ou pra você, turista que curte estudar os mapinhas e vasculhar formas de "sair daqui e chegar lá" por sua conta, no horário que bem entender, parando onde seus pés requisitarem. Mas excursões têm seu valor.

Não me surpreende a tia Clotilde e sua irmã Hortênsia quererem embarcar pra Europa, América do Sul ou Brasilsão afora a bordo de um ônibus leito com guia falando português. Acho certo. Elas não se interessam pelo trajeto exatamente, e sim por chegar. Nesse caso, se a questão é a comodidade - e aquela preguicinha inerente de certos humanos - a excursão vem a calhar. E vamos lá suportar a voz sonolenta do guia que descreve eventos desde a Idade Média pra embalar o nosso sono, ué.

O ruim mesmo da excursão (e, no meu caso, pelo menos, um verdadeiro "espalha roda"): embarcando numa dessas o roteiro não é seu, é de outrem. É um agente de turismo que escolhe as 12 cidades italianas onde o busão vai atracar e desembarcar a galera por 4 dias - por 5 minutos em cada lugar, sem muita onda de ficar observando e digerindo o monumento, o parque, o afresco. E corre, minha gente, que a barca já vai partir.

Pior que isso, só o fato de a maioria das excursões embutir paradas estratégicas naquela lojinha ou restaurante "conveniado". E aí a gente tem 13 segundos pra olhar a Torre de Belém por uma janela de ônibus, mas para por 2h40 na quitanda que vende doce de ovo. Eu sei que muitos gostam e tal, mas acho uma certa perda de tempo. E, mais grave, a gente perde o poder de escolha sobre parar ou não na tenda do doce de ovo, porque ao assinar a excursão isso vira ponto obrigatório.

Uma vez, quando visitei a Holanda e a Bélgica (e quem disser "credo, a BÉLGICA?" vai apanhar, que a Bélgica é um país legal e doce!) demos um drible no trem e decidimos embarcar em um ônibus turístico de Amsterdã até Bruxelas. Foi um belo golpe, porque saiu bem mais barato, foi mais confortável para lidar com as malas e ainda fizemos uma paradinha em Antuérpia - e não, eu nunca iria até a Antuérpia não fosse o ônibus parar lá, o que foi uma grata surpresa por aqueles 40 minutos.

Tudo foi ótimo até que, antes de fazer a parada final para desembarque, o guia decidiu parar numa loja de rendas. Juro, uma loja de rendas. Descemos do ônibus achando que tínhamos chegado e ó lá, uma montanha de toalhas de mesa, toalhas de mão, toalhas de banho - tudo com renda. Uma hora até todas as senhoras adquirirem seus lencinhos rendados e a gente poder chegar ao destino. Até hoje, quando eu vejo renda, me dá náusea.

Esse é o tipo de roubada que as excursões nos impõem. Por outro lado... bom, digamos que, a bordo das excursões da firma do Viajante Profissional, já passamos a frente de filas quilométricas só por estarmos em grupo; já adentramos vinícolas exclusivas, com tour de primeira linha e copo cheio por todo o percurso; já estivemos em castelos, museus e praias nos quais não teríamos estado não fosse a excursão ter exclusividade lá.

O recomendável para a maioria, acho eu, é avaliar bem que tipo de turismo se está fazendo. Não há razão, por exemplo, para estar de excursão em Paris. A língua não é obstáculo e tudo na cidade é muito simples de compreender e decidir (e pro caso de alguém não entender os avisos franceses, nos vagões mais antigos do metrô a gente precisa levantar a travinha da porta pra sair, tá bem? Informação de quem já perdeu mais de uma estação assim...). Ainda assim, se for o caso de sair do miolo da Cidade Luz para conhecer o palácio de Versailles ou castelos próximos, por exemplo, existem excursões de um dia cujos ônibus são confortabilíssimos, estacionam na entrada e o ticket já vai no preço. Vide http://www.pariscityrama.com.

É bem mais cômodo e certeiro do que passar a noite anterior com o nariz grudado no guia ou na internet tentando entender o RER que vai até o destino. Muitas vezes a perda de tempo não é a excursão, e sim os erros que vamos cometer no caminho até achar o maldito trem que desponta onde queremos. O melhor, assim, é ser versátil e embarcar na excursão conforme ela for conveniente. E simbora nanar ao som do guia sonolento.


Essa é uma cena de "Falando Grego", com a fofíssima Nia Vardalos como uma guia de excursão na Grécia. Só digo que o filme é safado, mas resume bem as alegrias/mazelas das excursões de turismo.


domingo, 3 de julho de 2011

Camelar ou vagabundear?

Toda vez que chega aquela boa oportunidade de dar uma escapada e viajar, vem logo a primeira dúvida: qual será a "pegada" dessas férias? Bunda na areia numa praia? Pança recheada num hotel tipo fazenda? Longas caminhadas pela metrópole afora? Festa radical em meio a trilhas, cordas, capacetes e aquela ideia masoquista de montar em uma bóia e se largar rio abaixo?

Escolher o mote da viagem fica, no fim das contas, entre duas possibilidade essenciais: se fazer de vagabundo ou se fazer de alucinado. Tem quem prefira a primeira opção; essas são as pessoas que, ao entrar em descanso, querem descanso DE FATO, sem gastar mais do que 28 calorias por dia (28 calorias essas que serão usadas apenas pra virar de lado na espreguiçadeira). É justo. Quem trabalha pra valer, sol a sol, se ferrando lindamente todo dia costuma preferir as férias vagabundas.

Nas férias vagabundas a gente só se alimenta do que estiver mais perto, só veste roupa que cabe na palma da mão, só faz exercício se esse exercício for se esgueirar até a piscina - e lá boiar. O bom das férias vagabundas é a certeza de voltar dela completamente renovado fisicamente. As dores do corpo aprisionado em ternos e sapatos fechados vão embora, cresce um pneuzinho delicioso nos flancos da barriga e até o cabelo tira uns dias de folga da chapinha. A contraindicação de férias assim é o banzo que vai dar na volta, quando a gente só conseguirá se lembrar de ter feito um sonoro nada.

Já as férias do outro tipo, as agitadinhas, congregam descanso-zero. Nelas a gente bate perna pra toda sorte de museu, restaurante, parque, monumento, igreja, escadaria ou faz tudo aquilo lá, os esportes radicais. É um tal de escalar pedra, escorregar na caverna, pendurar no cabo de aço, ralar joelho na terra, beber água de corredeira... Ufa. O corpo volta um caco - mas a mente, essa parece renovar cada ligação neurológica. Ao terminar, a gente só precisa fechar os olhos pra recordar feliz aquela linda estátua, aquele altar de ouro, aquele lago profundo, aquela luxação no dedão. É colocar a bolsa de água quente na lombar e curtir todas as novas referências.

Tanto um tipo de viagem quanto o outro tem suas vantagens. E cada tipo de pessoa curte mais ou menos cada uma delas. Tudo bem, tem gente que simplesmente odeia sentar de frente pro mar e passar a tarde na companhia de uma revista estúpida e uma piña colada, acha isso um desperdício; e tem quem deteste vestir sapatos confortáveis, segurar mapa e andar três horas pra encontrar uma maldita capela, acha isso uma babaquice. Mas eu acho que a melhor fórmula talvez seja intercalar.

Uns dias na preguiça no iníco do ano, uns dias de correria turística no meio dele... Quinze dias de dolce far niente no verão, quinze dias de compras, ingressos, mochilas e tênis reforçado na primavera. Que tal? Faz seu gênero? Taí uma dúvida boa de se ter.


Era tudo o que você queria? Ou faltam uns prédios aí?

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Da última vez que vi Paris

Foi meio ligeira, a última vez que eu vi Paris. Foi só um final de viagem, por dois dias curtos, um frio que cortava a pele. Foi em 2006, quando levamos a nossa Sabrina, então com 1 ano e pouquinho, pra umas férias muito loucas da pesada na Europa. E Paris, mesmo assim tão rapidamente, se comportou tão bem.

Já tive a chance de percorrer a capital francesa por três vezes. Juntando tudo, acho que já passei uns 20 dias por lá. Mas nunca tive a pretensão de dizer que conheço Paris. Não, não. Conhecer Paris, acho, deve levar mais que uma vida. O que a gente pode fazer por lá - em férias de fato ou só de passagem - é visitar uns pontos focais e se encantar. Se encantar muito.

Os pontos de parada são aqueles lá: Museu do Louvre (há quem diga que precisa de três dias pra conhecer, mas, de novo, nem tenha essa pretensão e passe lá as três, quatro horas que os mortais aguentam caminhar e observar com atenção, sem fazer "leitura dinâmica" das obras); Museu D'Orsay (pequerrucho, se comparado ao Louvre, mas uma delícia de visitar justamente por ser assim, compacto e decidido, lindo quanto às obras e quanto ao prédio em si); Torre Eiffel (deixa de ser muquirana e paga o elevador até o topo, s'il vous plait?); Arco do Triunfo (tem escadinha interna que leva ao topo e a uma das melhores vistas da cidade, suba!); um giro na boemia de Montmartre; um giro no descolamento do Marais; um giro na pompa de Saint-Germain des Prés... Ah, olha, têm muitos giros mais.

Paris tem ainda museus mais exclusivos (como o Rodin e o Centro Pompidou), os jardins incrivelmente bem delineados (Tuileries é bacana, mas Luxemburgo é especial), praças de sonho (eu sou Place des Voges até morrer), restaurantes excelentes (e caros... e outros bons e baratos... e outros ruins e caros... bom, vai da tentativa-e-erro). Paris pode entreter até o cidadão mais chato do mundo com algum atributo. Impossível criar enfado em Paris.

Até porque, um dos melhores programas por lá não requer dinheiro nem conhecimentos específicos. O melhor programa nessa cidade, eu ainda acho, é caminhar. S'promèner, como eles dizem lá. Passear, flanar, sentir o vento no rosto ao passar por lojinhas de doces com 400 anos de vida ou esbarrar com não-tão-doces senhoras a caminho da padaria. Sentar na escadaria da Sacré Coeur e olhar a vista, debruçar na sua ponte favorita sobre o Sena e fazer planos.

E dá inclusive pra ir caminhar mais longe - num tour até Versailles, por exemplo, caminhar pelos jardins por mais de hora pensando no que aqueles reis tinham na cachola é a maior diversão.

Da última vez que vi Paris foi assim, só caminhadas, passeios no parque e um ponto focal ou outro. Ainda assim, valeu cada segundo. Por isso essa cidade é boa de constar no roteiro mesmo que só de passagem, por míseros dias ou horas até. Paris tem sempre lugar pra mais alguém que, sem conhecê-la, quer visitá-la.


Sabrina se encantando ligeiramente, muitos anos atrás

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Vai mesmo, sem vergonha!

O que cada um de nós faz ao viajar, fica na viagem. Mentira, não fica. Diversos momentos ficam só na memória, mas muitos outros são devidamente fotografados, filmados, despejados nos álbuns da internet... E aí tem sempre a patrulha que vem e crava "ai, não acredito que você, um homem desse tamanho, foi pra Disney tirar foto com a Branca de Neve?!". Deixa o cara, por favor? Tem programa que se deve fazer, sim, mesmo que seja um clichê embaraçoso.

E mesmo que seja mico, que seja caro, que seja demorado. Se é do seu gosto, se estava no seu sonho, faça mesmo. Circular pelos canais de Veneza, por exemplo, é passeio que custa muito. Quando o gondoleiro de chapéu engraçado dá o preço, a sensação é de um lindo punhal italiano atravessando seu pulmão (dada a falta de ar causada pelo valor). Há quem diga, inclusive, que além de caro é meio ridículo. Ficar lá, sentado naquele banco de chenile meio gasto com um sujeito remando e um milhão de turistas nas margens olhando pra sua cara... É, pode ser tudo isso mesmo. Mas também é algo que fica impregnado na alma pra sempre.

O mesmo vale para os passeios de carruagem pelo Central Park. Calculo que, hoje, um tour de meia horinha acabe saindo por uns US$ 35. Caro? Caríssimo - ainda mais sabendo que meia hora passa como um tiro e que os cavalos... bem, cheiram a cavalo. Ainda assim, experimente colocar seu filho, sobrinho ou irmãozinho nessa roubada. Eles surtam de alegria por estar circulando por aquela cidade imensa a bordo de uma carrocinha toda rococó! Vale cada segundo.

Posso dizer que os passeios-clichê costumam atingir em cheio, principalmente, o turista com mais idade. Quando a gente tem 20, 25 anos, acha tudo isso uma cretinice. Espera mais um tempinho e você vai ver... Subir até o cucuruto da Torre Eiffel não vai mais parecer um calvário, e sim o sonho mais brilhante. Tirar foto no morro da Urca com o famoso bondinho de fundo não vai parecer estúpido, e sim uma diversão ímpar. É que, conforme os anos avançam, as pessoas ficam mais sinceras consigo mesmas - e estão pouco se lixando pro que a molecada vai pensar.

O negócio é simplesmente fazer aquilo que a mente e o coração sempre quiseram fazer, independente da opinião alheia. Quando fui para Amsterdã, muitos anos atrás, minha mãe estava junto. Ela fincou pé em dois programas: ir conhecer os moinhos (os três que sobraram, nos arredores da capital holandesa) e fazer um passeio de barco pelos canais. Eu achei aquilo mei brega, vou ser honesta. E depois? Depois lá estava eu, deslumbrada com a meiguice dos moinhos e fazendo uma genuína cara feliz pra foto dentro do barquinho. Fazer o quê? O clichê só é clichê porque seus méritos o levaram a isso, acho.

Então se no próximo destino você quiser subir até o topo do Empire State, vai nessa. A fila é escrota mesmo e custa os tubos (e, além disso, subir o Rockfeller Center é mais rápido, barato e... tem vista pro Empire State!). Mas se é do seu agrado, vai nessa. Se é do seu agrado, pague e curta um giro pela London Eye; se é do seu agrado, ignore o povo e vá mergulhar com os botos em Manaus; se é do seu agrado, faça pose com a Beyoncé no museu de cera! Quem sabe quando haverá outra chance de ser óbvio e ficar contente com isso?


É divertido, sim. E vê se não enche?

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Mas que (ul)traje, hein?

Tudo bem, eu confesso: sou daquelas maricotinhas que adoram sentar confortavelmente num banco e ficar vendo o povo passar. E comentando. Em geral, é só nota mental mesmo, nada de maldizer (ou bendizer, que às vezes até acontece...) os outros em voz alta. Só gosto mesmo é de olhar, sabe? Ali na minha sacada, aqui na minha cidade, quando viajo... Um dos divertimentos favoritos é sempre parar, sentar e ver o movimento. Fiz isso outro dia no aeroporto. Gente, cada coisa, viu...

Juro, eu não sou de botar reparo, mas o pessoal não colabora. Impossível apenas observar sem embutir o aspecto crítico. O vestuário de quem viaja virou, por aqueles 60 minutos em que fiquei sentada na sala de embarque, um estudo sociológico.

Primeiro que nota-se de bate-pronto quem está acostumado a viajar e quem não está. Porque quem está acostumado a viajar sabe de certos segredinhos. Por exemplo: avião é um lugar apertado. Muito apertado. Corredor apertado, poltrona apertada, bagageiro apertado. Tudo feito pra você se esgueirar, não se espalhar. Daí que, quem está acostumado com isso, sabe que é melhor portar uma mala de mão pequenina, roupas maleáveis, sapatos confortáveis.

Quem não está, aparece pro embarque daquele jeito que notei: moças com salto-agulha, regatas de alcinha com jaqueta de couro, calça "mais justa que Deus"... Pode ser muito bonito, mas não é adequado ou prático.

Vejo garotinhas sendo levadas pelas mães usando vestidos, botas e meia-calça. Tadinhas. Criança devia viajar com aqueles pijamas de corpo inteiro, sabe? Aliás, todo mundo devia viajar com pijamas de corpo inteiro... Mas se para os adultos fica ridículo, pelo menos as crianças deviam estar liberadas do julgamento. Vamos então deixá-las fazer o trajeto de moletom e camiseta com blusa por cima e tênis?

Adolescentes marcham rumo ao portão com sapatos plataforma - quase desabando daqueles edifícios em forma de calçado. Levam consigo bolsas gigantescas, malas com rodinhas e até o travesseiro querido. Alguém devia pôr uma luz sobre aquelas lindas e jovens cabeças e explicar que, na aeronave, basta levar uma blusa, um livro, um aparato tecnológico se for o caso e uma bolsinha com chicletes, protetor labial e talvez um pente. Dá pra girar o globo apenas com isso, não precisa levar a discografia da Lady Gaga em CD, todas as Capricho da última década e o conjunto de maquiagem do Kiss...

Os homens costumam se sair um pouquinho melhor. Costumam estar vestidos casualmente, sapatos sem cadarço e sacola compacta pra agilizar a passagem pelo raio-X. Exceto por aqueles que rebocam consigo verdadeiros contâiners sobre rodinhas - e depois querem socar o monolito no bagageiro, doa a quem doer (em geral dói nas bolsas dos outros, que ficam pra lá de espremidas no cantinho do compartimento, ou na cabeça de quem está na poltrona abaixo, um alvo fácil).

Adoro observar, por outro lado, quem faz sua viagem de modo esperto. Vi moças com calças malemolentes, nem largonas e nem justas, e blusas aprumadas e quentinhas (boas pra servir de coberta no gelido ar da cabine). Muitas usavam sapatilhas, a bendita onda do momento, ou sapatos fechados bem simples, bons de colocar/tirar sem exigir contorcionismo.

Algumas prendiam o cabelo apenas com piranhas ou elásticos, sem penteados elaborados que, depois de horas de ar condicionado e sono revirado, viram uma peruca atropelada. As bolsas compactas fechavam a questão, e algumas até descolavam aquelas de usar atravessadas no corpo, boas para deixar as mãos livres enquanto despachamos ou recuperamos a bagagem maior.

Vi inclusive uma moça, seu marido e um garotinho viajando todos com aqueles sapatos tipo Crocs. Nada de bandalheira: estavam arrumadinhos, com bolsas coladas no corpo e a pequena mochila do bebê, e usando seus sapatos ultra-mega-power-confortáveis. Invejei. Na próxima viagem, quero ser desapegada o suficiente pra escolher uma vestimenta que comporte um sapato assim e fazer o trajeto com vestuário ainda mais repleto de conforto, praticidade e estilo. Viu como botar reparo às vezes faz bem?

Você vê e acha esquisito? Eu vejo um bom uniforme pra viagem!

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Tem, mas tá quase acabando

Vocês também sentem aquela agoniazinha quando lêem notícias sobre "então, ilhas da Polinésia tendem a desaparecer, vá logo antes que suma". Eu nem sei se um dia terei verba/disposição pra percorrer cada diminuta ilhota polinésia, mas só de saber que pode sumir...

Pior que não é só uma porção de terra aqui, outra acolá. Especialistas vivem a detectar lugares com tendência a desaparecer do mapa. Ontem mesmo a revista Budget Travel listou os dez locais de pegada natural com maior possibilidade de evanescer do mundo. Segura aí - e marca logo a passagem, senão vai perder, playboy.

Grande Barreira de Recifes de Belize
É só continuar a zoar com o clima que a maior parte das 700 milhas da barreira de corais que vai do México a Honduras vai sumir rapidinho. O monitoramento diz que o aquecimento global vem matando os corais e que até 2030 capaz de não ter mais nada...

Bacia do Congo
Depois da Amazônia, a floresta tropical do Congo é a maior do mundo. Mas mesmo esse porte avantajado corre risco. Por causa do crescimento de fazendas, pecuária, guerrilhas e quetais, os gorilas, elefantes e okapis devem ficar sem dois terços de sua casa em coisa de 20 anos.

Mar Morto
Tão célebre entre religiosos, tão apreciado por turistas... e moribundo de verdade. O Mar Morto vem encolhendo coisa de 33 centímetros por ano. Resorts e restaurantes que antes eram "a beira-mar" agora precisam editar os panfletos e dizer que estão a 2 km da costa. Claro que a ação de indústrias que jogam porcaria no Rio Jordão, que abastece o Mar Morto, têm tudo a ver com isso.

Everglades
Hoje, o pântano mais famoso da Flórida já tem metade do tamanho que tinha em 1900. Em 40 anos, os felinos residentes na área, como a pantera, devem ter desaparecido.

Florestas de Madagascar
Era tudo muito lindo, bem desenhado e engraçadinho do desenho, né? Mas a Madagascar real, tão cheia de vida, vem sendo passada a ferro por empreendimentos imobiliários, fazendas que queimam a mata... Vinte espécies de lêmures, aquela coisa doce, estão ameaçadas já! Eu me remexo muito, viu...

Maldivas
Esse já é velho conhecido dos cientistas que estudam a elevação dos oceanos e o possível sumiço de certas ilhas. Considerando que as Maldivas estão a meros 2,5 metros do nível do mar, é de se entender por que em 2008 o presidente de lá anunciou estar comprando terras em outros países para acomodar o povo.

Os pólos
Eu nem posso dizer da minha tristeza pela previsão de desaparecimento dos pinguins imperadores, um dos meus animais prediletos. Isso pra não falar também da ameaça aos ursos polares, baleias, peixes, focas... Estão bem, nossos pólos norte e sul, né? Em 20 a 40 anos, os cientistas dizem que nenhum gelo estará mais se formando lá.

Rajastão
A área da Índia onde vivem os tigres selvagens já encolheu 93%. Em pouco mais de uma década ela pode nem existir mais - assim como seus garbosos moradores (e olha que eles somavam 100 mil indivíduos há um século). Parece que morre um tigre por dia por ali. O homem é um bicho estúpido ou o quê, hein?

Floresta de Tahuamanu
Eu queria visitar essa floresta tropical peruana que é lar das árvores de mogno (mogno este que é decepado e vê 80% da carga viajar para os Estados Unidos). Além disso, a área vem sendo assolada pela exploração maluca da mineração - que, é claro, acha bonito jogar mercúrio nos rios.

Bacia do Yang-Tsé
Quando eu comecei na vida de jornalista da área de turismo, rezava toda noite pra Nossa Senhora dar uma luz na cachola dos meus editores e me mandar pra China reportar o Yang-Tsé. Coisa mais linda aquele riozão correndo pelas planícies e se misturando ao tom amarelo-alaranjado do fim de tarde chinês. Pois agora acho que a pauta vale como nunca - pra ver se cessam o corte de árvores nas margens e a instalação de centenas de fábricas, mineradoras e fazendas no entorno. Poxa, eu queria ver o rio correr solto pra sempre. Mas acho que preciso me apressar mais em registrar a paisagem.


Se quiser ver o rio correr, corre

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Um programa debaixo d'água

Se tem um passeio bacana de fazer em algumas cidades espertas do mundo, esse passeio é conhecer aquários. Mas nada de ver aqueles estabelecimentos mirrados, com tanques esverdeados repletos de sardinhas tristes. Esses são maracutaia pra atrair turista bobo e explorar e arruinar a vida de bichinhos nadadores indefesos. Legais são os mega-aquários, aqueles que funcionam como cidades, cuidam muito bem de seus moradores e ainda ensinam a galera sobre a importância de respeitar os povos d'água.

Tem, por exemplo, o Oceanário de Lisboa, que funciona como um museu vivo sobre a vida marinha e lotadinho de tubarões, arraias e aqueles bichões todos. Tem também o L'Aquarium Barcelona, lindíssimo e modernão, com um túnel sub de 80 metros pra gente caminhar dentro e fingir de peixe.

Dos que visitei, o aquário da cidade de Monterey, na Califórnia, talvez seja o mais legal. Primeiro porque tem os imensos tanques onde a gente vê diversas espécies - inclusive um tanque principal, oceânico, com animais enormes, cardumes e um troço esquisitíssimo, o peixe-lua, que é coisa da pré-história e dá um certo nervoso. É muito divertido ver as lontras brincando e também as águas-vivas de todos os tamanhos (algumas grandes como um escorredor de macarrão e lindamente alaranjadas).

Um dos pontos mais interessantes, no entanto, é o tanque aberto no qual a gente pode tocar em bichinhos como estrelas-do-mar e/ou dar comidinha na boca das arraias. Tudo o que se quiser saber pode ser prontamente respondido por velhinhos simpáticos que trabalham ali como voluntários - para a criançada, uma fabulosa troca de informações inter-idades.

Existe ainda aquele da cidade de Atlanta, nos EUA. O Georgia Aquarium é considerado o maior do mundo e foi aberto em 2005 com seus 30 milhões de litros de água coalhada por mais de 100 mil animais. O tanque princial do GA é um dos poucos do mundo a contar com tubarões-baleia, aquela coisa descomunal. E no local ainda se podem ver pinguins e focas, aquelas fofurinhas.

Aquários, com o perdão do clichê, são diversão pra família inteira. São bonitos, são interessantes, são divertidos, socam alguma informação nova pra dentro do nosso ser a cada visita. E ainda podem ensinar bons costumes para as crianças, que um dia vão tomar conta das nossas águas. Confesso que eu me ressinto bem de o Brasil não ter um suuuper aquário bonito pra mostrar.

Têm alguns aqui e ali - e parece que na cidade de Fortaleza há um projeto de aquário quase ganhando vida. Tomara que vire mesmo. E quem sabe um dia a gente vai estar esculhambando e fazendo como o pessoal de Fiji, que nem faz questão de trazer os bichos pra cima, mas sim de mandar os viajantes pra baixo. No Poseidon Undersea Resort, a hospedagem acontece mar adentro - e o pessoal dorme, janta e etc. com o oceano todo em volta pela bagatela de US$ 30 mil para o casal pela semana.

Meio claustrofóbico? Ué, os peixinhos aceitam isso em várias cidades do mundo só para nos mostrar parte do seu modo de vida. Nada mais justo que mostrar respeito e inverter um pouco a diversão.